O controle do espaço aéreo em todo o mundo requer alta precisão e uso de tecnologia. Afinal, é importante garantir que todas as aeronaves que voam simultaneamente possam cruzar o céu com segurança.

De acordo com informações do Departamento Brasileiro de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), em 2018, o Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, registrou em média 800 decolagens e pousos por dia, entre aeronaves comerciais e militares de diferentes tamanhos. Nesse mesmo ano, mais de 42 milhões de passageiros viajaram pelo aeroporto, superando a marca alcançada em 2014, durante a Copa do Mundo realizada no Brasil (então, Guarulhos contava com 39,5 milhões de pessoas embarcando ou deplaneando por seus portões (fonte: agenciabrasil.ebc. com.br).

Todo o espaço aéreo brasileiro – que abrange 22 milhões de quilômetros quadrados, incluindo uma extensa área sobre o oceano – é controlado e monitorado pelos sistemas de controle de tráfego aéreo e defesa aérea desenvolvidos pela Atech.

Uma dessas soluções é chamada SAGITARIO, um sistema que a empresa desenvolveu em parceria com a DECEA para gerenciar todas as aeronaves no ar. É importante destacar que o SAGITARIO foi criado com esforços conjuntos de profissionais que trabalham na linha de frente do controle de tráfego aéreo: os controladores de tráfego aéreo. Isso produziu um conjunto de recursos operacionais para apoiar a tomada de decisões, conforme recomendado pelas agências reguladoras da aviação civil internacional, como a ICAO (Organização Internacional da Aviação Civil) e o EUROCONTROL (Organização Europeia para a Segurança da Navegação Aérea).

O sistema é acionado desde os momentos anteriores à decolagem até a aeronave estacionar no aeroporto de destino. Além disso, permite que os controladores de tráfego aéreo concentrem suas ações inteiramente em suas tarefas, o que aumenta significativamente sua percepção da situação.

Embora o nome da solução se refira à astronomia, o SAGITARIO (“SAGITÁRIO”, em inglês) é baseado em tecnologia. A nomenclatura deriva da sigla para “Sistema Avançado de Gerenciamento de Informações de Tráfego Aéreo e Relatório de Interesse Operacional” (“Sistema Avançado de Gerenciamento de Informações de Tráfego Aéreo e Relatório de Interesse Operacional”). Seu desenvolvimento visa garantir a segurança de vôo: o SAGITARIO é capaz de processar dados de várias fontes de detecção de aeronaves, como radares e satélites, e os consolida em uma única apresentação visual para o controlador de tráfego aéreo.

O sistema monitora aviões e helicópteros enquanto eles estão no ar. Radares e satélites, entre outros sensores, detectam a posição da aeronave e enviam as informações aos centros de controle de tráfego aéreo. O SAGITARIO reúne esses dados da situação aérea e os fornece aos controladores de tráfego aéreo (ATCO), que, então, se comunicam com os pilotos via link de rádio e entregam as informações aos centros de controle vizinhos que cobrem a rota.

Na prática, as ações do SAGITARIO não apenas possibilitam atender uma maior demanda de tráfego aéreo, mas também reduzem o tempo de voo e aumentam a pontualidade – consequentemente, beneficiando as companhias aéreas, com menores custos operacionais; além disso, menos emissões de gases contribuem positivamente para o meio ambiente. Os recursos avançados do sistema também favorecem a interação: eles reduzem os comandos do teclado e a fadiga do ATCO, permitindo que os controladores de tráfego aéreo melhorem sua atenção. Além disso, a capacidade do sistema de sobrepor imagens meteorológicas no controlador de tráfego aéreo exibe uma percepção situacional mais aguçada e monitora a evolução das condições meteorológicas de risco. Os planos de vôo também podem ser editados graficamente no mapa, permitindo inserções, remoções, reposicionamentos, entre outras ferramentas gráficas disponíveis para o controlador de tráfego aéreo.

Outra característica notável é o CPDLC (Controller Pilot Data Link Communications), que permite a comunicação entre o controle de solo e a aeronave através de mensagens de texto enviadas via link de dados; combinado com a tecnologia ADS-C (Automatic Dependent Surveillance – Contract), onde o equipamento de bordo transmite ao centro informações sobre a posição da aeronave, seu nível de voo e o clima atual. Assim, o sistema permite maior agilidade no controle e minimiza interpretações errôneas, geralmente causadas por barreiras linguísticas entre controladores de tráfego aéreo e pilotos.

OPERAÇÕES MAIS SEGURAS E MAIS EFICIENTES

Embora muitas vezes as pessoas pensem que o controle é sempre controlado pela torre, que é um dos ícones mais visíveis em um aeroporto, o SAGITARIO é instalado nos ACCs (acrônimo de Area Control Center) e APPs (Approach Control Center) – geralmente fora do aeroporto . Lá, todos os voos são gerenciados.

Um controlador de tráfego aéreo opera o sistema SAGITARIO no APP-Rio de Janeiro (Foto: Fábio Maciel) http://www.defesanet.com.br/

Detalhamento: as APPs controlam as aeronaves durante pousos e decolagens e são instaladas em várias cidades brasileiras, geralmente próximas ao aeroporto principal da cidade. Os ACCs monitoram voos nivelados na rota e estão localizados em quatro locais do país, cobrindo todo o território nacional. Esses sites são gerenciados pelo CINDACTA (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo) I, II, III e IV, entidades responsáveis ​​pela gestão do tráfego aéreo e pela defesa aérea.

Esse tipo de vigilância é essencial para o Brasil e, quando existem aeronaves não reconhecidas pelos controladores de tráfego aéreo que voam no céu, o Centro de Operações Militares do CINDACTA está envolvido. A equipe de defesa tenta entrar em contato com o piloto e, se não houver resposta, toma as medidas necessárias para garantir a segurança aérea do país.

Fonte: https://journalofwonder.embraer.com/br/pt/102-quem-esta-voando-no-ceu-agora-o-sagitario-responde

[Tradução dos termos na imagem acima: ACC e CINDACTA; Aeronaves niveladas e em rota; APLICATIVO; Após a decolagem e durante os procedimentos de pouso; Torre de controle; tributação e estacionamento]

O SAGITARIO instalado nos quatro CINDACTA fornece vigilância para todo o território brasileiro. Esses CINDACTAs, com seus respectivos ACCs, cobrem as regiões de Brasília, Curitiba, Recife, Manaus e uma parte do Oceano Atlântico sob jurisdição brasileira. Além disso, o SAGITARIO está instalado em 18 APPs em todo o país: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Manaus, Belém, Fortaleza, Natal, Recife, Salvador, Salvador, Vitória, Curitiba, Macaé, Pirassununga, Campo Grande, Porto Alegre , Porto Velho e Cuiabá.

Centro de controle de área instalado no CINDACTA III, em Recife. Fonte: https://aeromagazine.uol.com.br/artigo/brasil-controla-maior-parte-do-trafego-aereo-no-atlantico-sul_4560.html

Durante a Copa do Mundo da FIFA 2014 e os Jogos Olímpicos Rio 2016, o SAGITARIO foi considerado um dos maiores aliados das autoridades brasileiras, porque o sistema possibilitou o transporte aéreo com sucesso nos dois eventos, mantendo os níveis de segurança e eficiência operacionais, mesmo com o aumento significativo no número de aeronaves que cruzam o espaço aéreo brasileiro.

Em resumo, o SAGITARIO marca a evolução do controle aéreo no Brasil, aprimorando as comunicações, a navegação e a vigilância para comando e controle do espaço aéreo do país. O SAGITARIO fornece aos controladores um dos mais avançados sistemas de controle e gerenciamento de tráfego aéreo do mundo – e coloca o Brasil entre uma lista seleta de nações à frente em termos de domínio tecnológico para desenvolver e manter, de forma soberana, um sistema desse tamanho e significado estratégico.

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