Muitos técnicos confundem disponibilidade com confiabilidade dos ativos em diversos setores, inclusive na indústria siderúrgica. Na realidade, esse é apenas uma parte do cenário. Disponibilidade é o tempo real em que a máquina ou sistema é capaz de produzir como uma porcentagem do tempo total de produção planejado. A taxa de disponibilidade não deve ser confundida com a disponibilidade geral. A maneira mais comum de definirmos o conceito de confiabilidade é como a probabilidade de um ativo ou sistema falhar durante um determinado tempo sob certas condições de operações.

Isso, no entanto, pode ser considerado “simplista” demais em alguns cenários, especialmente quando abordamos o conceito de “falha”. Muitos acreditam que falhas são apenas paralisações, ou seja, quando os equipamentos param de funcionar. Diante disso, muitos trabalham em cima de uma série de fórmulas matemáticas para determinar a probabilidade de um ativo parar, deixando de considerar uma série de outras ineficiências que também são consideradas falhas, como lentidão e outros problemas.

Falhas se referem a qualquer problema que afete a eficiência dos equipamentos, gerando perda de recursos como tempo e dinheiro, e contribuindo para possíveis danos à reputação da empresa. Isso inclui, por exemplo, uma falha em um equipamento que o torne inseguro para o meio ambiente e funcionários da organização.

A importância de uma política formal de engenharia de confiabilidade

Muitas plantas, sejam na indústria siderúrgica ou em outros setores, não possuem uma política formal de engenharia de confiabilidade, nem programas que abordem diretamente problemas de confiabilidade. Em alguns casos, os programas de gerenciamento de qualidade e manutenção do produto reconhecem a falta de confiabilidade do equipamento como um problema. No entanto, esses programas não incluem ações específicas que incluam a confiabilidade como parte de uma eficiente gestão de ativos.

Em parte, essa omissão é criada por nossa incapacidade de atribuir responsabilidades pela confiabilidade do equipamento. A manutenção tem um papel importante; mas o mesmo acontece com produção, engenharia de instalações, compras, vendas e treinamento. Cada uma dessas funções da planta tem um impacto direto no desempenho.

Práticas ineficientes de gestão de ativos são percebidas como o fator dominante que limita a capacidade de produção, a qualidade do produto e a lucratividade. Em alguns casos, essa percepção é válida; mas a maioria dos problemas de confiabilidade que afeta negativamente o desempenho da planta não está ligada a uma manutenção deficiente.

Muitos dos problemas de manutenção percebidos estão realmente fora da função de manutenção. Procedimentos operacionais inadequados, projeto inadequado ou programação inadequada da produção são as fontes reais de muitos problemas de confiabilidade da planta.

A confiabilidade dos ativos começa com o processo de especificação e seleção. As áreas de engenharia e compras da planta devem buscar ativamente a confiabilidade como parte do processo. O custo do ciclo de vida, a capacidade de manutenção e as habilidades dos funcionários devem ser fatores-chave no processo de tomada de decisão.

Recursos humanos e tecnológicos

As habilidades dos funcionários também são uma parte crítica da confiabilidade do equipamento. Os operadores e o pessoal de manutenção devem ter procedimentos adequados a serem seguidos antes que um nível aceitável de desempenho seja atingido.

Nesse cenário, é fundamental investir em treinamento para dar suporte à confiabilidade do equipamento. Sem o apoio do treinamento, níveis de habilidade aceitáveis ​​não serão alcançados. Procedimentos padrão inadequados para operação e manutenção também contribuem para a baixa confiabilidade. Na maioria dos casos, os procedimentos operacionais e de manutenção padrão não fornece dados suficientes para operar ou manter adequadamente o equipamento da planta. Para que os dados sejam consistentes e contextualizados, é necessário que estejam integrados em uma plataforma única de gestão de ativos, com capacidades de Analytics embarcadas, como a plataforma OKTO.

Sem esse tipo de recurso, essas deficiências podem ser vistas como falhas dos funcionários. A gerência assume que a força de trabalho não possui habilidades ou motivação para desempenhar suas funções. Em muitos casos, a falha está nos procedimentos e nos recursos tecnológicos – a falta de sistemas de gestão de ativos – e não nos funcionários.

Garantindo a condição operacional

A função de gestão de ativos deve garantir que todos os equipamentos de produção e fabricação estejam em ótimas condições operacionais. A prática normal de resposta rápida a falhas deve ser substituída por práticas de manutenção que sustentem as condições operacionais ideais de todos os sistemas da planta.

O planejamento e programação da manutenção são uma parte essencial da gestão de ativos. Os gestores devem desenvolver e implementar tarefas de manutenção prescritiva e preventiva que atinjam o uso máximo dos recursos de manutenção e a capacidade de produção dos sistemas da planta. Um bom planejamento não é uma opção. Os gestores devem planejar adequadamente todas as atividades de manutenção, não apenas as realizadas durante interrupções.

Procedimentos e práticas padrão são essenciais para o uso eficaz dos recursos de manutenção. As práticas devem garantir um intervalo adequado de inspeção, ajuste ou reparo. Além disso, eles devem garantir que cada tarefa seja concluída corretamente, garantindo a confiabilidade na indústria siderúrgica.