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Métodos ágeis são fundamentais na jornada rumo à Indústria 4.0

Por Paulo Tiroli, Product Owner na Atech

Segundo a pesquisa “Manufatura Avançada e Indústria 4.0”, realizada pela FIESP, com 227 empresas, 32% dos entrevistados nunca ouviram falar em quarta revolução industrial, Indústria 4.0 ou Manufatura Avançada. Entre outras descobertas, o estudo mostrou ainda que, mesmo que 90% concordem que a Indústria 4.0 “vai aumentar a produtividade” e que “é uma oportunidade ao invés de um risco”, apenas 5% se sentem “muito preparados” para enfrentar esses desafios, enquanto 23% se sentem “nem um pouco preparados”.

Isso acontece porque a jornada rumo à Indústria 4.0 não exige apenas novas máquinas, sistemas e ativos, mas, principalmente, uma gestão de alta performance – algo que abrange não apenas tecnologias, mas pessoas e processos cada vez mais eficientes. O sucesso na indústria depende da capacidade de conquistar resultados de valor para seus clientes e isso exige, além de tecnologias, a capacidade de engajar pessoas em processos eficientes.

Não por acaso, a gestão Lean – e consequentemente os métodos ágeis – despontam como alternativa à gestão tradicional de projetos e como base para a Indústria 4.0, pois permite aprimorar processos, aumentar a produtividade e encurtar os ciclos de entrega com o envolvimento de equipes cada vez mais multidisciplinares e focadas, resultando em melhor qualidade.

Atuando no aperfeiçoamento de processos, a pensamento Lean consiste na busca constante pela redução de custos e pelo aumento de produtividade, impulsionando as empresas a superar os desafios da indústria, combatendo desperdícios, facilitando a identificação e a correção de falhas e, principalmente, engajando colaboradores e liderenças no objetivo estratégico de aumentar a eficiência operacional.

Métodos ágeis adicionam abordagens voltadas à eficiência e à produtividade, simplificando processos antigos e oferecendo uma maneira mais direta de lidar com os problemas encontrados.

Essa base é fundamental para os projetos voltados para modernização e Indústria 4.0. Com a implantação de metodologias ágeis, é possível otimizar os resultados dos projetos e reduzir os riscos de adoção de novas tecnologias, sistemas e soluções, garantindo que os investimentos vão trazer o máximo de retorno e vão, de fato, trazer ganhos em produtividade e redução de custos.

Dados como os divulgados pela FIESP mostram que já é de conhecimento da indústria brasileira que a quarta revolução industrial vai trazer uma série de ganhos em eficiência operacional, e que existe uma grande necessidade de desenvolvimento e implantação de sistemas e soluções que permitam alcançar os benefícios esperados com a transformação digital. Porém, antes de tudo, cada negócio precisa analisar em que estágio estão dessa jornada.

Nem todas as empresas já construíram a base necessária para extrair todos os benefícios dessa revolução, e as metodologias ágeis se encaixam perfeitamente nesse cenário, ajudando a pavimentar este caminho ao garantir um alinhamento de excelência entre pessoas, processos e tecnologias.

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O papel da liderança na implementação de metodologias ágeis

Por Paulo Tiroli, Product Owner na Atech

A gestão baseada no conceito de metodologias ágeis prevê a formação de equipes autodirigidas, descentralizadas, com foco na entrega para o cliente, o que altera completamente o papel da liderança. Essa característica de ser autodirigida faz com que a equipe seja independente o suficiente para se organizar em torno de um problema a ser resolvido, com autonomia para decidir a melhor forma de encontrar uma solução.

As equipes envolvidas nas metodologias ágeis não devem aguardar que seus gestores indiquem as tarefas – cada um sabe qual é a sua tarefa, o que precisa ser feito e todos cobram resultados um do outros, sem hierarquias, assumindo um maior sentimento de propriedade e de comprometimento.

Mas, mesmo que a equipe possua autonomia para decidir a melhor forma de realizar seu trabalho sem a necessidade de uma liderança direta, ainda é preciso contar com uma pessoa para gerenciar um projeto e liderar uma equipe.

Apesar de não existir a figura de um líder propriamente dito, a liderança se faz necessária. O agente responsável por esta atividade precisa ser capaz de guiar a equipe pela transição dos métodos tradicionais para o ágil, identificando as reais necessidades da equipe e buscando manter cada membro motivado frente a essa mudança.

Se nos métodos tradicionais as equipes tinham chefes, que antes apenas davam ordens, nas metodologias ágeis passam a contar com líderes caracterizados pelo perfil facilitador e mentor, que trabalham junto da equipe em busca de objetivos em comum.

O líder na mudança para uma cultura ágil

A implantação de metodologias ágeis implica na adoção de uma cultura ágil, transparência, confiança, empoderamento das pessoas, delegação de responsabilidades e interação entre os membros de uma equipe.

Na cultura ágil, não existe mais espaço para uma liderança que não se comunique e que não invista nas relações interpessoais. É o momento de humanizar a relação, desenvolvendo um clima de confiança e respeito, onde os membros das equipes se sintam valorizados e motivados.

Mais do que destacar problemas, um líder ágil sugere soluções. Ele reconhece suas forças e fraquezas e procura entender como determinada conduta ajuda ou atrapalha o andamento do projeto. Ele procura auxiliar e dar suporte para as equipes. Ele desenvolve soft skills como boa comunicação, empatia e resiliência.

Na cultura ágil, o líder não pode mais se comportar como chefe, deve ser uma liderança servidora. Esse conceito está baseado na afirmativa que liderar é servir. Dessa forma, o líder busca compreender as reais necessidades de suas equipes, no sentido de auxiliar, apoiar, ensinar, inspirar e motivar os colaboradores, para que todos possam desenvolver seus potenciais e talentos. Outra característica é a valorização de ideias e contribuições de seus colegas de trabalho, estabelecendo uma cultura de confiança e respeito.

Enfim, a liderança que vai conduzir à eficaz implantação de metodologias ágeis exige novas competências para conhecer as pessoas, entender expectativas, anseios, preocupações, saber ler a postura de cada um, gerando mais valor para o cliente.