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Saiba como Big Data e IoT estão acelerando a cadeia de suprimentos

Você com certeza já se deu conta de que cada vez mais a digitalização está presente em todos os setores da indústria e, com essa transformação, chegam dados e mais dados provenientes dos sensores embarcados em equipamentos. Tecnologias de IoT e ferramentas de Big Data deixaram de ser futurologia e oferecem a capacidade de uma melhor tomada de decisão em todas as áreas.

No setor de manufatura, por exemplo, a transformação digital tem levado agilidade, visibilidade, flexibilidade, rastreabilidade e redução de custos para a cadeia de suprimentos, integrando parceiros, fornecedores e clientes.

Se antes a cadeia de suprimentos tinha uma função operacional de logística, cujo foco era assegurar o abastecimento das linhas de produção e entrega para os clientes, hoje se concentra nos processos avançados de planejamento e previsão, como análises preditivas de dados internos – demanda – e externos – tendências de mercado, sazonalidade. Ao mesmo tempo, a logística operacional é muitas vezes terceirizada.

Gargalos e visibilidade

O processo de gerenciamento da cadeia de suprimentos é complexo, envolvendo o controle e monitoramento do fluxo de um produto desde a aquisição de matérias-primas até a distribuição do produto final ao cliente.

Mas, apesar da crescente importância da cadeia de suprimentos, e maior oferta de tecnologias de IoT e de ferramentas de Big Data, muitas empresas ainda enfrentam gargalos, causados principalmente por uma comunicação ineficiente entre as partes, baseada em e-mails e telefone.

Muitos gerentes de supply chain não conseguem ter visibilidade ponta a ponta da cadeia de suprimentos, problema muitas vezes causado pela existência de silos entre pessoas, processos e tecnologia. E sem visibilidade a tarefa de quebrar silos organizacionais é muito difícil, o que cria uma dificuldade natural em conectar fornecedores e negócios para entender a demanda, ter respostas rápidas sobre riscos, imprevistos e disrupções, e, por fim, orquestrar partes móveis de toda cadeia de suprimentos.

Ana Paula Blanco, Mestre em Gerenciamento de Tecnologia pelo Massachusetts Institute of Technology, ressalta que “para se ter sucesso nesse novo ambiente, um processo de planejamento diferente será necessário. Para construir uma rede de fornecimento digital, as organizações serão obrigadas a adotar uma cultura de inovação e experimentação, capaz de entregar uma operação mais rápida, mais flexível, mais granular, mais precisa e mais eficiente”.

A era da hiperconectividade

A IOT e o Big Data estão reestruturando todos os processos que compõem a cadeia de suprimentos, reunindo integração, automação e análise de dados. O poder da IoT está em conectar pessoas, processos, dados e “coisas” de forma inteligente, por meio de dispositivos e sensores, criando um ecossistema em rede que mensura, coleta e troca dados ininterruptamente, em tempo real.

A cadeia de suprimentos aproveita essa capacidade, com total visibilidade em todos os processos e transações. Mas também traz desafios, como aponta Ana Paula: “Em um universo em que as informações estão amplamente disponíveis e podem ser compartilhadas, serão exigidas técnicas avançadas de previsão de demanda, menos dependentes da experiência das pessoas, mais fundamentadas na análise de dados e com períodos de planejamento mais curtos. A tradicional reunião mensal de vendas e operações (S&OP, sigla para Sales and Operations Planning) com horizonte de congelamento de um a três meses, utilizada no passado por várias empresas, será substituída por um processo fluido e dinâmico, capaz de reagir rapidamente às mudanças.

“Não haverá necessidade de se esperar por informações e não haverá nenhum filtro entre um nível da cadeia de suprimento e o outro. O planejamento em tempo real permitirá que as empresas aumentem sua flexibilidade para responder às variações da demanda. Ao mesmo tempo, diminuirá a necessidade de estoque para cobrir variações imprevistas e atrasos na informação, impulsionados pelo efeito chicote comum nas cadeias de fornecimento tradicionais”.

Com a inteligência proveniente da análise de Big Data, em vez de manter estoques de segurança fixos, os gestores poderão reduzir o nível de incerteza (o desvio padrão de erros de demanda / oferta ou de previsão), acabando com a necessidade de manter um estoque de segurança.

A nova cadeia de suprimentos, que incorpora a IoT e o Big Data, é mais integrada, dos fornecedores aos clientes, e as decisões sobre custo, estoque e atendimento passam a ser tomadas em uma perspectiva de ponta a ponta, e não isoladamente por função. Com isso, a cadeia de suprimentos torna-se mais rápida, detalhada, precisa e eficiente.