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O Brasil se arma
09/01/2012


A indústria de defesa e segurança renasce no país. E deve movimentar US$ 120 bilhões ao longo das próximas duas décadas

Por Carlos Rydlewski

Empurrão: a presidente Dilma Rousseff assinou em setembro a MP 544. Ela desonera por cinco anos o setor de defesa de encargos como IPI, Pis/Pasep e Cofins




A-DARTER é o nome do míssil de última geração (dividido, acima, em duas partes) desenvolvido pelas brasileiras Mectron, Opto e Avibras, em parceria com a sul-africana Denel

É impossível não estremecer diante de um míssil de última geração. É o tipo de objeto cuja presença exerce um estranho fascínio, até pelas emoções disparatadas que desperta. Tome como exemplo o A-Darter (aí ao lado): ele é longilíneo, como uma lança pós-moderna. Mede 2,98 metros, mas não chega a ser encorpado. Ao contrário, pela altura elevada, é até fino. Tem 16,6 centímetros de diâmetro, o que lhe confere uma aparente fragilidade ? só aparente, claro. Por um lado, embute um conteúdo tecnológico sensacional. É daqueles foguetes que vemos no cinema, soltos em pleno ar, brincando de pega-pega com aviões supersônicos, em perseguições cheias de zigue-zagues estonteantes. Por outro lado, é uma peça assustadora. Seus sensores, circuitos, lasers, espoletas, softwares, chips, lentes, combustível, design, motores e até os parafusos da fuselagem expressam o estado da arte no quesito extermínio. Representam a mais fiel tradução para o mundo real do termo máquina mortífera.

O A-Darter, além de ser uma peça intrigante, tem uma origem surpreendente. O míssil ar-ar (lançado de um avião contra outro) está sendo desenvolvido no interior paulista, pela Mectron (com sede em São José dos Campos), pela Opto (São Carlos) e pela Avibras (Jacareí), em parceria com a sul-africana Denel Aerospace Systems. Com o projeto, orçado em US$ 100 milhões, esse quarteto passa a integrar um seletíssimo time, onde jogam no máximo cinco empresas internacionais que dominam uma tecnologia de tamanha magnitude.

A bomba voadora também pode ser vista como um símbolo. É a prova material de que o Brasil reativou a sua máquina de guerra, após três décadas de inanição. Desde os anos 90, ninguém dava bola para esse segmento, pauperizado por orçamentos em processo de extinção.

Hoje, a indústria bélica saiu da defensiva. As companhias brasileiras, associadas ou não a conglomerados globais, preparam-se para participar da produção de um arsenal parrudo, previsto para estar à disposição das Forças Armadas ao longo das próximas três décadas (trata-se de um ramo de investimentos pesados, que exige planejamento de longuíssimo prazo). A relação inclui aviões cargueiros, submarinos (quatro deles convencionais e um nuclear), radares, sistemas de comunicação, softwares de fusão de dados, novos modelos de blindados, helicópteros, navios e fragatas, além de satélites. Há ainda nessa lista uma variedade impressionante de robôs-espiões, aeronaves chamadas de Veículos Aéreos Não Tripulados (Vant). Sem pilotos, elas sobrevoam áreas de confronto em busca de informações. O plano é que toda essa parafernália se encaixe em uma série de megaprojetos militares.

Os grandes projetos

O Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron) é um dos mais ambiciosos nesse campo. Ele preconiza a vigilância em tempo real dos 16,8 mil quilômetros da fronteira terrestre do Brasil ? em linha reta, é a distância que separa São Paulo de Seul, na Coreia do Sul. Nesse traçado, que contorna dez países, entre o Uruguai e a Guiana Francesa, vivem 10 milhões de pessoas em quase 600 cidades. O projeto, tocado pelo Exército, prevê gastos de US$ 6 bilhões. A base do planejamento está pronta e a implantação deve ocorrer em cinco etapas, em dez anos.

Outra empreitada de envergadura similar é o Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (Sisgaaz). Apesar do nome, o programa não tem nada a ver com a floresta. A palavra ?Amazônia? foi apropriada como um sinônimo de abundância de recursos naturais ? e um elemento de marketing. O foco é o monitoramento da costa brasileira (daí a referência ao azul do mar). A ideia é vigiar atividades como navegação, pesca, produção de petróleo e gás, notadamente nas reservas do pré-sal. O Sisgaaz deve consumir US$ 2 bilhões e está na alçada da Marinha. O objetivo é construir um gigantesco Big Brother, que incorporaria até um novo satélite, orçado em US$ 400 milhões.

A guerra dos bilhões

Esse é somente um aperitivo do cardápio de projetos. Estimativas da indústria indicam que o segmento de defesa deve movimentar US$ 120 bilhões no Brasil nas próximas duas décadas. Um terço disso (US$ 40 bilhões) está em projetos já anunciados. A estimativa incorpora projeções de despesas com o aparato de segurança da Copa de 2014 e da Olimpíada de 2016, que envolverão de helicópteros a radares e mísseis. As cifras podem até estar contaminadas por algum otimismo, mas vêm insuflando o mercado de guerra no Brasil. Desde o ano passado, as companhias do setor iniciaram um ciclo inédito de fusões e aquisições.

A Embraer protagonizou um dos mergulhos mais profundos nessa tendência. Fundada em agosto de 1969, ela nasceu nos quartéis. Nos anos 70, fabricou sob licença da italiana Aermacchi quase 200 Xavantes, um jato de treinamento e ataque ao solo. Depois vieram o caça AMX e o Tucano, tão bem-sucedido que até hoje aumenta seu mercado. Agora, a companhia está desenvolvendo o cargueiro KC-390. Ele é um desses gigantes que cruzam o céu em flagrante desafio à gravidade. Aguenta 23 toneladas de carga, o equivalente a uma frota de 27 Unos Mille. O preço médio desse tipo de aeronave no mercado é de US$ 110 milhões.

A empresa acumula 60 cartas de intenção de compra do cargueiro, vindas de seis países, sendo 28 pedidos para o Brasil. Essas cartas não são compras firmes. Elas representam uma possibilidade, mas abrem perspectivas animadoras. Ao mercado global, o KC-390 está sendo apresentado como um substituto do Hércules C-130 ? uma peça histórica do arsenal de guerra mundial. O primeiro Hércules, fabricado pela Lockheed, decolou em agosto de 1954. E seus descendentes ainda estão ativos, em pleno ar. Nos próximos dez anos, porém, 700 deles serão aposentados. Eis a deixa para o avanço do modelo da Embraer, cujo voo inaugural deve ocorrer em 2014. Ele deve entrar em operação em 2016.  

O falcão (ao fundo) é o veículo aéreo não tripulado da Avibras. ?Mais que de projetos, precisamos reativar a linha de produção?, diz Sami Hassuani, seu presidente

O Brasil é a terceira via no mercado mundial de defesa. Atende a países que precisam de armas, mas não querem (ou não podem) comprá-las de americanos ou europeus

Os gigantes vão às compras

As perspectivas do setor são tão boas que a Embraer decidiu criar, no ano passado, um ramo específico para atuar nele, a Embraer Defesa e Segurança. Depois disso, foi às compras. Assumiu o controle da Orbisat, uma pequena empresa de Campinas, em São Paulo. Ela produz radares capazes de enxergar o relevo de uma região, mesmo sob a copa das árvores em uma floresta tropical ? extremamente densa, portanto. Também adquiriu metade da paulistana Atech, especializada em fusão de dados. Ela produz softwares que integram informações de fontes variadas, como radares, satélites, rádios, internet ou celulares. Depois, apresenta todo esse conteúdo consolidado na tela de um computador. Assim, se um satélite identifica a presença de um navio e um radar, de um helicóptero, o programa mostra ambos no monitor. Esse tipo de tecnologia é crucial como suporte para decisões em teatros de guerra.

A Embraer, ainda no ano passado, associou-se à AEL, a subsidiária brasileira da Elbit Systems, a maior empresa privada da área militar de Israel (o que não é pouca coisa). Ambas criaram a Harpia, nome de uma espécie de águia da Amazônia. A nova companhia vai atuar em ramos como o dos Vants, os robôs voadores, usados em monitoramento e espionagem. Com essa movimentação, a participação do segmento militar na receita da Embraer foi de 4% em 2006 a 13,5% no ano passado. Em 2012, deve liderar o crescimento da companhia.

Outros gigantes trilham caminho similar. A Odebrecht formou uma joint venture com a Cassidian, o braço de defesa do conglomerado europeu EADS, que tem entre suas divisões a Airbus. Também criou uma parceria com a companhia francesa de construção naval DCNS, para atuar no programa de desenvolvimento de submarinos da Marinha. Assumiu ainda o controle da Mectron, uma das fabricantes do míssil A-Darter. Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez (em associação com a francesa Thales) e Oi, da área de telecomunicações, também se movimentam nesse segmento. As duas últimas têm interesse na construção de um satélite nacional. Isso sem contar com outros grupos estrangeiros de olho no país. ?A cada semana sou procurado por uma empresa internacional diferente?, diz Luiz Teixeira, da Iacit, fabricante de radares. ?Todos querem fazer algum tipo de parceria para poder desembarcar no Brasil.?

O novo modelo de guerra

Grande parte de todo esse agito reflete a necessidade de atualização do arsenal das Forças Armadas. A defasagem tecnológica, apenas no Exército, é estimada em 40 anos. O índice de obsolescência dos sistemas de comunicação atinge 92%. Assim, com o crescimento econômico do país nos últimos anos, essa demanda era inevitável. Não é só isso. O novo sopro da indústria de defesa é resultado de um debate que há mais de uma década mobiliza a cúpula das casernas, das empresas e do governo. Essas discussões têm definido o novo eixo sobre o qual o setor deve operar. A atual doutrina apregoa o fim dos contingentes gigantescos de militares. A ideia é atuar com uma força minimalista. A tarefa do pessoal fardado seria, literalmente, ir à luta. Todas as outras funções fora do campo de batalha ficariam a cargo de civis.

Essa nova ordem armada tem sido exposta em ocasiões pontuais. Ela foi expressada pelo general Eduardo Villas Bôas, em um seminário realizado em abril do ano passado no Observatório de Inovação e Competitividade da Universidade de São Paulo (USP). Na ocasião, Villas Bôas afirmou que o atual desafio do Exército é se afastar de um modelo operacional ultrapassado, típico da Segunda Guerra. ?Esse confronto aconteceu em uma era essencialmente industrial, com conflitos que exigiam a ocupação de áreas imensas e permitiam uma maior preparação para o combate?, disse. ?Hoje, as guerras são instantâneas.?

As novas batalhas exigem, portanto, maior prontidão das forças. Confrontos recentes, como o ocorrido no Iraque, têm sido decididos não só com bombas, mas pela logística. As guerras contemporâneas impõem ainda a atuação em novos fronts. Em junho do ano passado, o Exército criou o Centro de Defesa Cibernética (CDCiber). É uma trincheira virtual: quer abater hackers. E não estamos falando de futuro. A guerra cibernética existe hoje. O jornal The New York Times revelou, no início de 2011, a existência de um programa de militares americanos e israelenses para criar o vírus Stuxnet, moldado para retardar o programa nuclear iraniano. 

A Embrar comprou 50% da Atech em 2011. ?Com isso, ganhamos força para disputar um mercado ocupado por gigantes?, diz Tarcísio Takashi Muta, presidente da empresa

Tudo no papel

A base da atual doutrina das Forças Armadas do Brasil também foi colocada no papel. Ela está descrita em um documento concluído em dezembro de 2008, elaborado pelos ministérios da Defesa, sob o comando do ex-ministro Nelson Jobim, e Assuntos Estratégicos, então pilotado pelo economista Roberto Mangabeira Unger. Trata-se da Estratégia Nacional de Defesa. O general Villas Bôas define o texto como histórico. ?Pela primeira vez, o poder público definiu o que os militares deveriam fazer?, disse, na USP. ?Em contrapartida, garantiu o apoio para nossas demandas.?

A estratégia definiu três princípios para a atuação militar: o monitoramento, a rapidez nos deslocamentos das tropas e a presença em pontos-chave do território. São esses os pilares da demanda por armas e dos projetos de vigilância das fronteiras e da costa brasileira, o Sisfron e o Sisgaaz. O texto estabeleceu também que a indústria nacional teria papel preponderante nas iniciativas do setor. Hoje, há o entendimento de que as empresas brasileiras não podem fazer tudo do zero. Daí o crescente número de parcerias entre as companhias locais e estrangeiras.

A recuperação da indústria de defesa no Brasil está sendo amparada por um discurso, formatado a partir da Estratégia Nacional de Defesa. Ele é reproduzido por todos os representantes do setor. Em busca de aliados na sociedade civil, prega que a defesa não pode ser um tema exclusivo das Forças Armadas. A nação deve se envolver no debate.

Para justificar a demanda por novos armamentos, também são detalhados os desafios nacionais na área de segurança. A premissa é que a economia do Brasil continuará florescendo. Com isso, o país deve se descolar da realidade das demais nações da América do Sul. Tende, assim, a se transformar em um foco de imigrantes. Isso criaria um ponto de tensão, tanto interno como externo.

Outra agravante: alguns dos nossos vizinhos produzem drogas. E, para completar, paira sobre o planeta a ameaça de acirramento da disputa por recursos naturais (petróleo, minérios e água). A defesa da Amazônia, portanto, torna-se crítica. Por fim, a conclusão: se o país quer ser protagonista no cenário global precisa saber se defender (o termo atacar nunca é usado) e ter capacidade de influir. Para isso, é essencial ter musculatura econômica, científico-tecnológica... e militar.
O discurso dos representantes do setor inclui argumentos econômicos. O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Material de Defesa e Segurança (Abimde), Orlando Ferreira Neto, mostra em suas apresentações o peso que os produtos da área militar podem ter nas contas de uma nação. ?O valor agregado na produção do minério de ferro representa US$ 0,02 por quilo do produto?, diz Ferreira Neto. ?Em um míssil, a cifra salta para US$ 2 mil e chega a US$ 50 mil no caso de um satélite.?

Um mundo de riscos

Embora tenha se reorganizado, o universo da indústria de defesa também é cheio de riscos. Em todo o mundo, esse ambiente de negócios só tem um cliente: os governos. Mesmo as exportações de material bélico estão fortemente associadas à demanda do poder público. ?Ninguém compra um armamento que não seja usado pelas Forças Armadas do país de origem?, afirma Sami Hassuani, presidente da Avibras. ?Essa é uma condição básica do setor.? Muitas vezes, acordos diplomáticos garantem a venda de armas no estrangeiro. Nesse caso, cada país define cotas para trocas de produtos (como frangos por lançadores de bombas). Esse mecanismo, um escambo estratégico, é chamado de compensação (offset, no jargão dos diplomatas).

E depender 100% de um governo é um baita fator de instabilidade. No Brasil, os gastos militares foram os mais afetados pelo corte de R$ 50 bilhões, realizado no Orçamento federal em fevereiro do ano passado. À época, o Ministério da Defesa perdeu R$ 4,3 bilhões de um total de R$ 16,5 bilhões, embora tenha preservado os aportes nos principais projetos. Em 2012, a verba deve aumentar 5,8% em relação ao ano passado, mas essas cifras têm de ser seguidas por vários pontos de interrogação. ?Na verdade, nós não precisamos que os recursos sejam crescentes?, diz Luiz Carlos Aguiar, presidente da Embraer Defesa e Segurança. ?O importante é que o ciclo de investimento seja mantido.? Quer dizer: que pingue pouco, mas sempre. Nem isso pode ser garantido no Brasil. 


A Embraer e a Telebras estão formando uma empresa nacional de satélites. O primeiro será lançado em 2014. Terá uso em defesa e serviços de banda larga
 

O fornecedor sumiu

A área militar é ainda um campo próspero para boicotes. Se a peça de um produto for considerada estratégica por um país, sua venda será proibida. Sem negociação. A Opto, a empresa que participa do projeto do míssil A-Darter, já desperdiçou muito tempo ? e dinheiro ? com esse tipo de entrave. ?Nossos projetos da área militar são sempre mais sensíveis do que imaginamos?, afirma Mario Stefani, diretor de pesquisa da companhia.

Em 2006, a Opto desenvolvia um desses apetrechos ?sensíveis?. Era uma câmera para satélites. Entre outros predicados, um equipamento desse gênero precisa aliar uma sensibilidade extrema a uma robustez brutal. A máquina tem de resistir anos a fio a condições climáticas do outro mundo ? literalmente. O ambiente espacial é o paraíso de radiações e palco de frequentes bombardeios atômicos. As variações térmicas são alucinantes. A temperatura na superfície de uma chapa de alumínio perdida no espaço varia de 700 graus (na face voltada para o Sol) a 270 graus negativos (à sombra).

Quando todos os desafios técnicos haviam sido superados e tudo parecia pronto, o fabricante de um circuito do aparelho, uma companhia americana (a Opto não revela o nome), avisou que não poderia mais entregar a peça. E cada componente custava US$ 45 mil. Stefani encomendara 20, em uma compra de US$ 900 mil no total. ?Era um dinheirão e nunca imaginei que o negócio fosse roer.? A primeira parcela da aquisição, no valor de US$ 62 mil, já havia sido até quitada. Mas a justificativa do interlocutor americano para o cancelamento do acordo não dava margem para negociações. ?Se eu despachar o componente, pego dez anos de cadeia?, disse. O negócio havia sido sustado pelo Departamento de Estado americano. O projeto da câmera atrasou mais de um ano até que um novo fornecedor fosse contratado e o projeto fosse adaptado ao novo tipo de circuito.

A indústria de defesa também realça o fato de atuar como uma alavanca para inovações. As tecnologias criadas no ambiente militar costumam ter forte impacto, quando migram para o dia a dia das pessoas. A internet e o GPS estão na miríade de casos desse tipo. Eles nasceram nos quartéis.

Mas esse argumento também tem sido bombardeado. Gente como o jornalista e escritor britânico Malcolm Gladwell mostra que as invenções militares nem sempre podem ser aproveitadas pela sociedade como um todo. E, muitas vezes, os investimentos pesadíssimos não dão em nada. Em outubro, Gladwell contou a história do engenheiro suíço Carl Norden (1880-1965). Cristão fervoroso, Norden inventou um mecanismo para aprimorar a mira dos pilotos de avião nos bombardeios. Acreditava que a máquina, um computador analógico, poderia poupar vidas ampliando a acurácia dos ataques. O governo americano investiu US$ 1,5 bilhão (em valores de 1940!) no sistema, imaginando que seus petardos aéreos poderiam acertar um barril a 20 mil pés de altitude. Comprou 90 mil aparelhos.

O problema é que a máquina de Norden só funcionava em condições ideais de voo ? ou seja, nunca em caso de guerra. O aparelho falhou em sucessivas missões. Em um desses fracassos, errou o alvo por 250 metros, quando o Enola Gay lançou uma carga de bombas atômicas sobre Hiroshima, em 6 de agosto de 1945. Nesse caso, o erro foi desconsiderado. A destruição foi tão avassaladora que os 250 metros não fizeram a menor diferença. Mas podem ser cruciais na hora de definir em que investir ? e quanto. E isso não é nada fácil em um segmento cuja natureza é ser hermético.  
 

Os radares da Orbisat conseguem mapear a superfície de um terreno sob a copa das árvores. ?A tecnologia está em uso na Amazônia?, diz seu presidente, Maurício Aveiro